Larde, 19 de Agosto (AIM) -- O Governo de Moçambique concretizou, esta quarta-feira, no distrito de Larde, província de Nampula, o arranque da construção do Parque Industrial de Topuito, uma infra-estrutura avaliada em 600 milhões de meticais, concebida para aproximar as Pequenas e Médias Empresas (PMEs) das oportunidades de fornecimento de bens e serviços geradas pela Kennmar, empresa que explora areias pesadas na região.
A primeira pedra do empreendimento marca o início de uma obra prevista para durar um ano e que pretende transformar a economia local através da integração das empresas nacionais na cadeia de valor dos grandes projectos. Na fase de plena operação, o parque poderá gerar mais de 10 mil postos de trabalho, entre directos e indirectos.
A iniciativa é liderada pelo projecto Conecta Negócios, com apoio do Banco Mundial, e implementada pelo Moz Parks, em coordenação com a Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN). O parque está inserido numa área de 215 hectares, dos quais 10 hectares serão destinados à Vila das PMEs, sendo que actualmente já estão ocupados cinco hectares. Prevê-se instalação na área mais de 50 empresas.
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Segundo Dito Andela, especialista de infra-estruturas do Conecta Negócios, a principal função da Vila das PMEs e integrar as micro e pequenas empresas locais na cadeia de suprimentos dos grandes projectos instalados na região. Para isso, e importante resolver o défice de qualidade que limita a participação das empresas locais nos grandes investimentos.
"Esta vila das micro e pequenas empresas servirá para treinar essas empresas. A estrutura permitirá às PMEs aproximarem-se da cadeia de valor dos produtos e serviços demandados pela Kennmar e por outros grandes investimentos.", afirmou Andela.
O projecto prevê armazéns, oficinas, centro de treinamento, infra-estruturas de frio e espaços para formação e residências. A cadeia de frio deverá responder também às necessidades dos sectores agrícola e pesqueiro, permitindo conservar, processar e colocar a produção local nos mercados.
Para a Kennmar, a instalação do parque representa uma oportunidade para reduzir custos e prazos de abastecimento.
Jalak Zent, director de suprimentos da empresa, explicou que a presença de fornecedores nas proximidades poderá diminuir o tempo de espera e reforçar a disponibilidade de bens necessários às operações.
"Isso vai reduzir o prazo de espera para a Kenmar. Isso também permite que as empresas instaladas no parque adquiram capacidade para responder às exigências da mineradora", disse Zent.
A multinacional garante ainda preferência às empresas locais nos processos de contratação, embora a capacidade técnica continue a ser determinante. Zent revelou que, durante o último ano em que decorreu um projecto de expansão, a Kennmar destinou boa do orçamento destinado a bens e serviços, para empresas moçambicanas, embora os valores variam conforme os projectos de investimento
Em 2025, a multinacional colocou mais de 70 milhões de dólares norte-americanos à contratação de serviços.
Para Onório Boane, Director da Moz Parks, considera que a Kennmar deve funcionar como uma empresa-âncora para desencadear a diversificação económica de Larde.
"Não queremos eternamente depender da Kenmar. A primeira fase estará ligada à cadeia da mineradora, mas que, posteriormente, o parque deverá atrair empresas de outros sectores.", afirmou Boane.
Entre as oportunidades identificadas estão o agro-processamento, processamento de pescado, engenharia, metalomecânica e fabricação de peças. O potencial é reforçado pela dimensão das operações da Kennmar.
Segundo Boane, a nova Lei de Minas abre igualmente uma perspectiva de transformação industrial. O diploma estabelece que até 20% do minério extraído deve ser processado localmente, criando espaço para futuras unidades de processamento no parque. Para concretizar esta ambição, será necessário reforçar as estradas e a capacidade energética da região.
A componente de formação surge como uma mais-valia, com um centro de treinamento deverá preparar jovens locais para responder às exigências técnicas da indústria, enquanto as infra-estruturas de frio deverão ligar pescadores e produtores agrícolas as empresas fornecedoras de refeições a Kenmare.
"O recurso que existe aqui só fará sentido se ele for capaz de transformar a vida social e a vida económica desses que são daqui", afirmou.
(AIM)